Quais dores são tratadas por um Médico da Dor?
Tenho certeza que ao longo de sua vida você já vivenciou tipos deferentes de dor, algumas mais intensas e outras difíceis até mesmo de explicar. Por mais que todas as dores sejam dor, nem todas compartilham dos mesmos mecanismos biológicos.
Podemos exemplificar com a dor nas costas: normalmente, ela é por contratura muscular e piora no final do dia, no entanto outras pessoas podem ter dor por degeneração dos discos vertebrais ou mesmo compressão de nervo, aquela dor que desce em choque para as pernas, popularmente conhecida como dor do ciático.
Cada uma dessas dores têm causas e mecanismos diferentes, mas compartilham algo importante: podem ocupar um espaço cada vez maior na vida. Uma dor nas costas que limita os movimentos ou uma queimação nos pés que interrompe o sono, cada uma delas pode trazer um prejuízo significativo na nossa qualidade de vida e limitar nossa autonomia.
O médico da dor atua na avaliação e no tratamento de condições dolorosas, especialmente quando são persistentes, recorrentes, intensas ou difíceis de controlar. Meu trabalho envolve compreender de onde vem a dor, como ela se mantém e de que maneira interfere no cotidiano, construindo um plano de cuidado adequado a cada pessoa.
Nos próximos tópicos, irei apresentar um pouco da possibilidade de abordagem do Médico Especialista em Dor em diferentes condições álgicas.
Dores na coluna

Dores lombares, cervicais e torácicas estão entre as queixas que podem ser acompanhadas na medicina da dor. O médico especialista em dor avalia a dor na coluna por meio de uma abordagem biopsicossocial, que investiga não apenas a lesão anatômica, mas também o impacto emocional e o processamento neurológico do paciente.
O processo começa com uma anamnese detalhada, na qual o profissional investiga as características da dor, como se ela se apresenta em queimação ou pontada, o tempo de evolução dos sintomas e os fatores que geram alívio ou piora. Durante essa entrevista inicial, rastreamos sinais de gravidade, conhecidos como red flags, além de avaliar como o estresse, a ansiedade e a qualidade do sono estão amplificando a percepção dolorosa do paciente. Na sequência, realiza-se um exame físico minucioso e direcionado para testar as estruturas da coluna. Por fim, analisamos os exames de imagem, como a ressonância magnética ou a tomografia computadorizada, sempre priorizando a correlação clínica.
Depois dessa etapa, elaboramos um plano terapêutico que pode incluir medicações, infiltrações, acupuntura, neuromodulação, agulhamento seco (dry needling), referenciamento para cirurgia, quando indicado, e fisioterapia.
Dores nos músculos
O médico especialista em dor aborda as dores musculares investigando além da contratura física, focando na identificação de síndromes miofasciais e na sensibilização do sistema nervoso.
O atendimento inicial busca mapear se a dor é localizada, crônica ou difusa, e de que forma fatores emocionais, noites mal dormidas e o estresse cotidiano estão atuando como amplificadores desse desconforto no cérebro do paciente. No exame físico, realizamos a palpação minuciosa dos músculos para localizar os chamados pontos-gatilho (trigger points), que são nós tensionais rígidos que causam dor local ou referida em outras regiões do corpo quando pressionados. Diferente de outras especialidades, o foco não está em solicitar exames de imagem complexos, pois as dores musculares raramente aparecem em ressonâncias ou tomografias, servindo estes exames apenas para descartar outras doenças.
O plano de tratamento é dinâmico e foca na dessensibilização da área afetada através de procedimentos de alívio imediato no próprio consultório. O médico pode utilizar técnicas como o agulhamento a seco (dry needling) ou infiltrações de anestésicos locais diretamente nos pontos-gatilho para desativar o foco da dor, acupuntura, combinando essas intervenções com medicamentos moduladores da dor e a reabilitação física direcionada.
Dores nas articulações
Nas dores articulares, nosso objetivo é diferenciar o desgaste estrutural, inflamação ativa e da hipersensibilidade do sistema nervoso. A investigação inicial determina se o padrão do desconforto é inflamatório, caracterizado por rigidez matinal prolongada e piora no repouso, ou mecânico, quando a dor é agravada pelo movimento e aliviada pelo descanso.
Alguns exames, como ultrassonografia e termografia, podem ser realizados no próprio consultório. Entendemos que alterações estruturais graves vistas nos exames nem sempre correspondem à intensidade da dor, o que nos direciona a focar o tratamento no que realmente causa o sofrimento do paciente e não apenas no desgaste ósseo demonstrado no laudo.
Infiltrações articulares com anti-inflamatórios, aplicações de ácido hialurônico para viscossuplementação, bloqueios nervosos, acupuntura e neuromodulação podem fazer parte do plano terapêutico. Essas intervenções rápidas visam o alívio imediato dos sintomas para que o paciente consiga retomar a fisioterapia e recuperar a função articular com o menor sofrimento possível.
Fibromialgia e dores generalizadas
O médico da dor é um dos principais especialistas no tratamento da fibromialgia, pois a doença é o exemplo clássico de uma falha no processamento da dor pelo sistema nervoso. Em vez de uma lesão em um músculo ou articulação específica, a fibromialgia envolve uma amplificação dos estímulos dolorosos no cérebro e na medula espinhal, um mecanismo conhecido como sensibilização central. O especialista em dor está habituado a lidar exatamente com essa desregulagem do sistema de alarme do corpo, trabalhando para readequar a forma como o organismo interpreta os estímulos do dia a dia.
O objetivo no tratamento da fibromialgia vai muito além de tratar a dor física, focando no reequilíbrio global do paciente. Avaliamos de forma integrada os sintomas que costumam acompanhar o quadro, como a fadiga extrema, as alterações de memória e concentração (o chamado fog mental), a ansiedade e os distúrbios graves do sono, que impedem o corpo de se recuperar adequadamente durante a noite. O plano terapêutico não se baseia em analgésicos comuns, que costumam ser ineficazes nesses casos, mas sim em medicamentos neuromoduladores que acalmam o sistema nervoso hipersensível, associados a estratégias não medicamentosas indispensáveis, como a prática de exercícios físicos supervisionados, suporte psicológico e higiene do sono.
O médico da dor pode utilizar de medicações, acupuntura, neuromodulação, entre outras estratégias, e costuma atuar em parceria outros profissionais como o reumatologista, fisioterapeutas, psicólogos e educadores físicos, garantindo um cuidado completo e focado na devolução da qualidade de vida ao paciente.
Alias, para pacientes com fibromialgia de Luís Eduardo Magalhães (BA), recomendo conhecerem o trabalho da Afilem, Associação de Pessoas com Fibromialgia de Luís Eduardo Magalhães.
Dores relacionadas aos nervos
Esse tipo de dor é chamada, na medicina, de dores neuropáticas. Nosso objetivo, no tratamento dessas dores, foca na regulação do sistema nervoso, já que esse tipo de dor decorre de uma lesão ou disfunção direta nos próprios nervos que transmitem os sinais dolorosos. Neste tipo de dor, é importante identificar a causa exata do dano nervoso, como a compressão de uma raiz na coluna, a neuropatia diabética ou a neuralgia pós-herpética, e caracterizar os sintomas típicos relatados pelo paciente, que geralmente envolvem sensações de queimação, agulhadas, choques elétricos, formigamento ou uma sensibilidade extrema ao toque, onde até o contato com a roupa pode ser insuportável.
Diferente de dores comuns, a dor neuropática não responde aos analgésicos convencionais ou anti-inflamatórios. Por isso, o tratamento medicamentoso baseia-se no uso de fármacos neuromoduladores, como certos anticonvulsivantes e antidepressivos específicos, que atuam acalmando os neurônios hiperecitados e regulando a química cerebral para reduzir o envio dos sinais de dor.
Quando os medicamentos sozinhos não trazem o alívio necessário, recorremos a procedimentos intervencionistas avançados para bloquear o circuito da dor. Isso pode incluir bloqueios de nervos periféricos guiados por ultrassom, infiltrações peridurais, acupuntura, neuromodulação ou, em casos complexos e refratários, a neuromodulação cirúrgica com o implante de estimuladores medulares, visando devolver a funcionalidade e o bem-estar ao paciente.
Dores de cabeça e na face
O médico da dor avalia as dores de cabeça e na face investigando as complexas interações entre os nervos cranianos, os vasos sanguíneos e a musculatura da região, que frequentemente compartilham as mesmas vias de sinalização no cérebro. Buscamos diferenciar as dores de cabeça primárias, como a enxaqueca crônica e a cefaleia tensional, das dores que têm origem em estruturas específicas da face e do pescoço. Durante o atendimento, mapeamos as características das crises, identificando dores que pulsam, que pesam ou que disparam como choques elétricos, além de investigar gatilhos comuns como estresse, bruxismo, disfunções na articulação temporomandibular (ATM) e problemas cervicais que irradiam para a cabeça.
O plano de tratamento do médico da dor se destaca por associar medicações preventivas e neuromoduladoras a procedimentos intervencionistas precisos para interromper o ciclo da dor. Para enxaquecas refratárias, podemos realizar o protocolo de aplicação de toxina botulínica (Botox) em pontos específicos do crânio ou bloqueios dos nervos occipitais. Já para dores faciais e neuralgias, são indicados bloqueios anestésicos de gânglios e nervos cranianos, acupuntura ou neuromodulação, oferecendo alívio imediato e duradouro quando os tratamentos convencionais já não fazem efeito.
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Dores que permanecem após cirurgias ou traumas
A recuperação de uma cirurgia ou de um acidente pode ser acompanhada por dor. Em algumas pessoas, porém, ela persiste além do período esperado de cicatrização.
Nestas situações, abordamos a dor pós-cirúrgica focando tanto na otimização do alívio imediato no pós-operatório agudo quanto na prevenção e tratamento da dor crônica pós-cirúrgica, que ocorre quando o desconforto persiste por mais de três meses após o procedimento. Investigamos a natureza dessa dor para entender se ela é predominantemente inflamatória (decorrente da cicatrização dos tecidos cortados) ou neuropática (causada por lesões ou estiramentos acidentais de pequenos nervos durante a cirurgia). Situações comuns na rotina do médico da dor incluem a persistência de dores após cirurgias de coluna (síndrome pós-laminectomia), mastectomias, toracotomias, amputações (dor fantasma) e artoplastias de joelho ou quadril.
O médico da dor pode, inclusive, fazer parte da sua equipe de planejamento cirúrgico, buscando estratégias de analgesia multimodal que minimizem o risco de evoluir com dor pós cirúrgica.
Dores relacionadas ao câncer
O médico da dor aborda a dor oncologia com o objetivo prioritário de proporcionar o máximo de alívio, conforto e dignidade ao paciente em qualquer estágio da jornada contra o câncer. Investigamos a dor de forma multifatorial, identificando se ela é causada pelo crescimento do próprio tumor (que pode comprimir órgãos, ossos e nervos), por metástases ou se é consequência dos tratamentos necessários, como a toxicidade da quimioterapia (neuropatia periférica), inflamações pela radioterapia ou aderências pós-cirúrgicas.
Neste tipo de dor, devemos manter atenção especial quanto a uma dor contínua de fundo com picos de dor intensa e súbita, conhecida como dor do tipo breakthrough. Podemos escrever uma publicação para falar especificamente sobre isso.
O tratamento combina analgésicos comuns, anti-inflamatórios e, principalmente, opioides (como a morfina, metadona, oxicodona e fentanil) em doses individualizadas para controlar as dores moderadas a graves. Podemos associar os chamados medicamentos adjuvantes, como anticonvulsivantes e antidepressivos, que ajudam a tratar o componente neuropático da dor tumoral e permitem reduzir as doses de opioides, minimizando efeitos colaterais como sonolência, náuseas e constipação.
O grande diferencial do médico da dor na oncologia é o uso precoce de procedimentos intervencionistas minimamente invasivos para bloquear a dor na sua origem.
Dores em gestantes e crianças
Nós, médicos da dor, temos um cuidado especial com gestantes e crianças, pois é de conhecimento geral que nem toda medicação pode ser utilizada com segurança nesses momentos da vida. Por conta disso, médicos de dor podem contribuir de forma excepcional no cuidado da dor oferecendo possibilidades multimodais de manejo da dor, priorizando a segurança do feto ou o desenvolvimento físico e emocional da criança.
No caso das gestantes, o desafio principal reside na restrição ao uso da maioria dos medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios convencionais, que podem atravessar a placenta e causar riscos malformativos ou cardiovasculares ao bebê. Nosso foco consiste em diagnosticar as dores musculoesqueléticas comuns do período, como a lombalgia e a dor pélvica causadas pela alteração postural e pela ação do hormônio relaxina, utilizando terapias não farmacológicas, infiltrações locais seguras com anestésicos de baixa absorção sistêmica, acupuntura e bloqueios anestésicos periféricos direcionados quando o sofrimento da mãe coloca em risco a estabilidade da gestação. Podemos também auxiliar no manejo da dor no trabalho de parto, buscando um parir mais confortável e, como já pude vivenciar, partos sem dor.

Já na pediatria, o médico da dor adapta toda a sua abordagem para decifrar o sofrimento de pacientes que nem sempre conseguem verbalizar ou localizar o que sentem. Infelizmente, no Brasil, cerca de 6% das crianças convivem com dor crônica, e isso raramente é diagnosticado ou tratado. O foco clínico em crianças e adolescentes geralmente envolve dores crônicas como cefaleias, dores de crescimento complexas, dores abdominais funcionais ou a Síndrome de Dor Regional Complexa (SDRC). O tratamento medicamentoso é rigidamente calculado pelo peso corporal e foca na dessensibilização do sistema nervoso sem o uso de medicações que possam interferir no desenvolvimento cognitivo ou motor da criança. Buscamos atuar de forma lúdica e multidisciplinar, integrando a psicologia infantil e a fisioterapia para que o jovem paciente resgate a sua rotina escolar e o convívio social sem o estigma do medo da dor.
Em Luís Eduardo Magalhães, você pode contar com um Médico da Dor perto de você

Independente de onde a dor esteja localizada ou de quanto tempo ela faça parte da sua vida, uma coisa é certa: você não precisa aprender a conviver com o sofrimento.
Como médico especialista em dor, acredito que é possível transformar esse cenário. Mais do que prescrever tratamentos, nosso papel é ouvir a sua história, compreender as particularidades do seu corpo e devolver a você o controle sobre a sua rotina, suas escolhas e sua qualidade de vida. Se a dor tem limitado o seu dia a dia, saiba que existem caminhos, tecnologias e abordagens que buscam resgatar o seu bem-estar.
Ficou com alguma dúvida sobre o tratamento da dor ou quer saber como podemos ajudar no seu caso? Deixe seu comentário ou agende uma avaliação.
Dr. Paulo Henrique Mai
Médico da Dor e Acupunturista
CREMEB 49.415 - RQE





Médico excelente! Médico especialista em Dor em Luís Eduardo Magalhães. 👏